Artigos de Jornal
O urbanismo pelo avesso
Um eminente advogado e ex-senador, publicou recentemente no site Bahia Econômica o artigo Precisa-se de Urbanistas. Ele inicia o artigo dizendo: “Com a criação do CAU (2011) – Conselho de Arquitetura e Urbanismo – houve uma mutação generalizada nos cursos de arquitetura: seguindo as competências do CAU, de repente, praticamente todos os cursos de arquitetura do país passaram a ser de arquitetura e urbanismo, sem adequação dos currículos. E todos os arquitetos passaram, por decreto, a serem arquitetos e urbanistas”. Mais adiante afirma “não se pode aceitar que um profissional que se dedica à arquitetura de interiores seja também urbanista”.
Muito antes da criação do CAU, a maioria das universidades brasileiras já tinham Faculdades de Arquitetura e Urbanismo. Foram esses arquitetos-urbanistas que criaram ou expandiram cidades no país, como Goiânia (1933-35) em Goiás e Volta Redonda (1940) no Rio pelo Arq. Attilio Correia Lima; o bairro da Pampulha (1940-43) em BH pelo Arq, Oscar Niemeyer; Brasília (1956-1960) e Plano Piloto da Barra da Tijuca (1969) no Rio pelo Arq. Lucio Costa e o Plano Diretor de Curitiba (1966) desenvolvido pelo IPPUC sob a direção do Arq. Jaime Lerner. que criou o primeiro BRT mundial.
Depois de nos reduzir, arquitetos-urbanistas, a decoradores, Dr. Waldeck afirma: “Há, no país, uma grande carência de urbanistas: são 5.570 prefeituras precisando de urbanistas para consertar nossas cidades”. Ledo engano de um político que foi Secretário de Planejamento da Bahia no governo de ACM. O que falta não são urbanistas, mas o compromisso dos governantes de planejarem e para a cidadania.
Prefeitos de direita e de esquerda odeiam planos diretores, porque dificultam as barganhas político-eleitorais-imobiliárias. O PDDU de 2016 e suas atualizações são acordos de cavalheiros entre o poder municipal e o setor imobiliário. Onde existem duas casas que pagam dois IPTUs se autoriza uma torre de 30 andares em uma rua de 7 m de largura que vai gerar, no mínimo, 120 novos IPTUs e engarrafamentos. O mesmo ocorre em todo o interior.
E o que se faz com esse dinheirão? Um parque, infraestruturas nas periferias urbanas, mercados para os informais, passeios largos para se caminhar? Não, viadutos inúteis, mas que azeitam a máquina, e estacionamentos que só servem para incentivar o aumento da frota de carros, que no mundo inteiro se procura diminuir. A insegurança urbana está ligada ao abandono das periferias urbanas, que são apropriadas pelas gangues do tráfico de drogas e milícias que brigam diuturnamente pelo domínio do território.
Não existe mais nenhum órgão de planejamento no Estado e na Prefeitura de Salvador. A Conder, não planeja mais, o Derba foi substituído pelo Consórcio Rodoviário (a raposa administrando o galinheiro) e o Oceplan, em Salvador, fechou.